“EU” OU “NÓS”, QUAL DESSAS DUAS PALAVRAS USAMOS MAIS?
14/11/2020
     A humanidade já viveu e viverá cada época com algumas características especiais que a marcam e definem. O egoísmo, individualismo e narcisismo sempre existiram, mas com certeza, o século 20 a ainda mais, estas primeiras duas décadas do século 21, levarão como grande marca, onde o “EU” está posto muito acima do “NÓS”; o bem INDIVIDUAL, muito acima do bem COLETIVO.

      Esta é uma das principais, não a única, razão de tantos males, tanto consumismo, tanta concentração de renda, de bens, de alimentos, de terras, de poder, de dinheiro, de saberes, nas mãos de cada vez menos pessoas ou nações e joga cada vez mais pessoas ou países na miséria, na pobreza absoluta, na fome, nas doenças sem atendimento, na exclusão.

     Também é consequência disso pensar e dizer, “EU” TENHO, “EU” POSSO, PORTANTO “EU” COMPRO, “EU” ACUMULO, “EU” RETENHO, ... e você não tem nada com isso.

     Enquanto milhões vivem vestidos de farrapos e descalços, outros têm centenas de camisas, calças, vestidos, roupas de frio, sapatos; enquanto milhões de pais/mães catam comida nos lixos, pedem esmolas nas ruas, nos semáforos, ... outros pais/mães dizem aos filhinhos “o que você quer comer hoje, papai/mamãe compra”, ou os filhos dizem “eu não gosto, eu não quero, de novo esta mesma coisa e empurram os pratos cheios para o lado, emburrados”.

     Toda IRRESPONSABILIDADE no trato e cuidado ou DESTRUIÇÃO do planeta Terra, tem também sua origem no “EU” estar muito acima do “NÓS”. Assim, o que importa, é apenas esta geração, importa é o hoje.

     Se os que vierem depois dessa geração, isto se ainda tiver futuro, eles que fiquem com as sobras, se deixarmos sobras, que fiquem com a terra, água e ar envenenados, acabados, demolidos.

     MILHÕES OU BILHÕES DE ANOS FORAM NECESSÁRIOS PARA A TERRA PRODUZIR E, COMO MÃE, OFERECER A ABUNDÂNCIA, A FARTURA, A DIVERSIDADE, AOS FILHOS QUE NASCERAM DE SEU VENTRE. AGORA EM DOIS OU TRÊS SÉCULOS A ORDEM É DESTRUIÇÃO, QUE NÃO FIQUE “PEDRA SOBRE PEDRA”. “QUE NÃO FIQUE ÁRVORE COM ÁRVORE”.

     Até pelo número diminuto de filhos, dos casais que ainda não substituíram os filhos humanos, sangue de seu sangue, pelos “filhos” cachorros, gatos, passarinhos presos, ... desde o berço, estes “rebentos” quando ainda podem nascer, já sabem que são os “reis e rainhas” do pedaço. Tudo é particular, tudo é só para eles sem necessidade de partilhar, de “dividir” com os irmãozinhos, quando ainda os têm. Os irmãos não são bem-vindos porque são mais uma ameaça ao amor, ao afeto, ao carinho, do que companhia. Mais de 80 ou 90% de seu tempo, a criança passa SOZINHA com seu celular, com seu tablet, com SEUS brinquedos eletrônicos. Quando têm mais de um filho/filha, ... tudo tem que ser comprado em dobro, cada coisa para cada um em particular.

     ARRISCO A DIZER QUE A MAIOR MISSÃO EVANGELIZADORA DE NÓS CRISTÃOS NO MUNDO DE HOJE, É VOLTAR A TESTEMUNHAR QUE O “NÓS” DEVE ESTAR ACIMA DO EU. Até porque o amor somente a si, ao “EU”, não é AMOR, mas EGOÍSMO e o egoísmo é a negação do AMOR e do cristianismo. Não estou dizendo que o “EU” não seja importante. É importante, sim, mas como INDIVIDUALIDADE, não como INDIVIDUALISMO.

     “NÃO É BOM QUE O “HOMEM” (pessoa) ESTEJA SOZINHO. “VOU DAR-LHE UMA COMPANHIA”, E DEUS OS CRIOU “DOIS”, QUER DIZER, COLETIVO.

      Deus não disse aos nossos primeiros pais: Isto é “teu” e, dirigindo-se ao outro, aquilo é “teu”. No primeiro capítulo da Bíblia, Deus, depois de criar o “homem” os criou plural e disse: Eu “VOS” dou, ... toda a obra criada e não Eu “TE” dou tudo que criei. Texto e informações de D. Guilherme Antonio Werlang

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